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Gestão de Ativos: Inventário, criticidade e as melhores políticas e técnicas de inspeção e manutenção dos ativos.

  • Foto do escritor: Fabio Fachini
    Fabio Fachini
  • 9 de mar.
  • 4 min de leitura

1. Introdução: A Evolução da Manutenção na Engenharia de Produção


Para o futuro Engenheiro de Produção, compreender a manutenção é compreender a viabilidade do próprio negócio. Historicamente, no período anterior à Primeira Guerra Mundial, a manutenção era tratada como uma atividade secundária e meramente reativa — uma função de oficina que agia apenas após a quebra (Tavares, 1999).

Entretanto, a visão moderna transformou essa percepção. De acordo com a Organização das Nações Unidas (1975), a função "fim" de uma organização é definida pela equação: Produção = Operação + Manutenção. Essa definição é transformadora para o gestor de produção, pois retira a manutenção do papel de "suporte" e a coloca como metade da equação produtiva. Hoje, autores como Kardec e Nascif (2006) destacam que a manutenção busca garantir resultados empresariais, disponibilidade e confiabilidade, evoluindo de um "mal necessário" para uma função estratégica de alta gerência.


2. O Ativo Além da Contabilidade: Retorno Financeiro e Confiabilidade


Embora a contabilidade veja o ativo apenas como um investimento físico, para a Engenharia de Produção ele é um gerador de valor que exige proteção. A gestão estratégica da manutenção impacta o resultado financeiro através da produtividade (disponibilidade), lucratividade (controle de custos e extensão da vida útil) e qualidade percebida pelo cliente (Just-in-Time).

A filosofia central dessa gestão é sintetizada por Kardec e Nascif: "A manutenção existe para que não haja manutenção". Isso significa que o foco deve ser a antecipação de falhas para que o equipamento pare apenas por decisão gerencial, protegendo o ciclo de vida do ativo e o retorno sobre o investimento inicial.


3. Arquitetura do Inventário: A Lógica Sistêmica no Setor de Corte Laser


Segundo Tavares (1999), o gestor deve enxergar a planta como um sistema integrado. A complexidade de um portfólio de ativos exige uma hierarquização clara, onde cada nível possui diferentes histórias de falha e técnicas de inspeção.

Utilizando como exemplo o Setor de Corte Laser, a hierarquia se organiza assim:

Sistema: Linha de Corte Laser (Nível macro do processo).

Subsistema: Conjuntos funcionais que compõem a linha.

Exemplo: Chiller de resfriamento ou Fonte de Energia.

Componente: Partes específicas que exigem técnicas distintas de inspeção e troca.

Exemplo: Lentes, bicos aspersores ou rolamentos do motor.

Essa estrutura permite ao engenheiro identificar onde a falha gera o maior impacto e como o desgaste de um componente (micro) pode comprometer a integridade do sistema (macro).


4. Anatomia da Falha e Gestão de Risco


A falha é definida por Slack et al. (2008) como qualquer dano parcial ou total que comprometa o índice de produção. No entanto, o papel do Engenheiro de Produção é gerenciar a severidade dessa falha.

Baseando-se em Weber & Thomas (2005), a priorização de ativos deve ocorrer pela análise de consequência e risco relativo:

Funcionalidade Total vs. Parcial: Uma falha no bico do laser pode reduzir a qualidade (parcial), enquanto uma falha na fonte de energia interrompe toda a produção (total).

Segurança e Meio Ambiente: Falhas que geram riscos à integridade humana ou danos ambientais são de criticidade máxima e exigem monitoramento contínuo.


5. Fluxo de Decisão: Políticas de Manutenção


A escolha da política ideal depende da criticidade do ativo. Conforme Pinto & Xavier (2001), é fundamental distinguir a Corretiva Planejada (estratégica) da Não-Planejada (falha de gestão).

Política

Quando Aplicar

Impacto no Custo

Impacto na Confiabilidade

Corretiva Não-Planejada

Falha inesperada em ativos não críticos.

Muito Alto (emergencial)

Baixíssima (reativo)

Corretiva Planejada

Decisão de "deixar falhar" em itens de baixo risco.

Controlado

Baixa, mas previsível

Preventiva

Ativos com desgaste conhecido em intervalos fixos.

Médio (Planejado)

Alta (Prevenção)

Preditiva

Ativos críticos; monitoramento de sintomas.

Otimizado

Máxima (Antecipação)

6. A Gestão na Prática: PDCA e Indicadores de Classe Mundial


Para controlar a função manutenção, o gestor utiliza o ciclo PDCA, alinhado às diretrizes organizacionais (Nascif & Dorigo, 2010; Weber & Thomas, 2005).

Plan (P): Alinhar a estratégia de confiabilidade aos objetivos do negócio e identificar requisitos-alvo de desempenho.

Do (D): Executar conforme o plano, aplicando as melhores práticas e integrando a equipe.

Check (C): Avaliar o cumprimento e a pertinência dos planos de ação através de auditorias.

Act (A): Revisar planos de ação com base na análise de lacunas (gaps) entre o real e o planejado.

Para atingir o nível de "Classe Mundial", o Engenheiro de Produção deve monitorar um dashboard de indicadores (KPIs) rigorosos:

Indicador

Descrição / Benchmark

Meta Sugerida

Disponibilidade

Proporção de tempo que o ativo está pronto para uso.

> 90%

Manutenção Corretiva Não-Planejada

Horas de quebra inesperada sobre o total de horas.

< 15%

Custo de Manutenção / Faturamento

Impacto do custo de manutenção no faturamento anual.

2% a 8%

Horas de Treinamento / Empregado

Investimento em capacitação técnica da equipe.

~ 60h / ano

TMEF / TMPR

Confiabilidade (Tempo Médio Entre Falhas) e Mantenabilidade (Tempo Médio para Reparo).

Elevar TMEF / Reduzir TMPR

7. Conclusão: O Engenheiro como Gestor de Ativos


A gestão estratégica da manutenção é o diferencial competitivo que permite a uma organização alcançar o status de "Classe Mundial". Para o Engenheiro de Produção, a manutenção não é uma despesa a ser cortada, mas um pilar da Eficiência Global dos Equipamentos (OEE).

Ao adotar uma visão sistêmica e o rigor nos indicadores, você garante que as máquinas parem apenas por decisão gerencial. O sucesso da produção depende da sua capacidade de transformar dados técnicos em decisões estratégicas, focando sempre na melhoria contínua e na sustentabilidade dos ativos da organização.

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