top of page

Guia Descomplicado de Manutenção e Gestão de Ativos: Das Políticas à ISO 55000

  • Foto do escritor: Fabio Fachini
    Fabio Fachini
  • 20 de fev.
  • 4 min de leitura


1. Introdução: O Que é Manutenção na Visão da Engenharia de Produção?


Olá a todos! Como Professor e entusiasta da Engenharia de Produção, fico feliz em guiá-los por este universo. Este guia foi estruturado sob a ótica da Aprendizagem Baseada em Projetos (PBL) e do Peer Instruction, metodologias que valorizam a aplicação prática do conhecimento. Na nossa área, a manutenção deixou de ser o "setor que conserta" para se tornar uma função estratégica de Gestão de Ativos.

Gerenciar um ativo, conforme as diretrizes do CPC 27, é extrair dele o máximo valor e desempenho com o menor custo possível ao longo de sua vida útil. Para o Engenheiro de Produção, isso significa equilibrar a necessidade técnica de disponibilidade com a realidade contábil: o valor de um ativo inclui desde a aquisição e impostos de importação até a restauração do local após o descarte, mas não inclui gastos com propaganda, treinamentos ou custos administrativos. Nosso papel é ser o maestro dessa sinfonia entre máquinas, custos e pessoas.


2. As 4 Políticas de Manutenção: Qual Escolher?

Em sala, sempre me perguntam: "Professor, qual a melhor política?". A resposta é clássica: depende! Não existe uma solução única, mas sim a aplicação correta baseada na criticidade do ativo e na severidade da falha.


2.1. Manutenção Corretiva (Pronto Intervento)

No campo, muitas vezes chamamos isso de "Modo Bombeiro", onde a falta de planejamento dita o ritmo e a equipe corre para apagar incêndios. É a política do "deixar queimar para trocar".

• A Analogia da Lâmpada (Cenário 1): Imagine uma lâmpada no canto de uma sala de reuniões. O custo de monitorá-la é maior que o valor da peça. Aqui, a corretiva é aceitável: esperamos queimar para substituir.

• Custos e Disponibilidade: Baixo investimento inicial em ferramentas, mas alto risco de paradas inesperadas que destroem a disponibilidade.

• Aplicação: Ativos de baixíssima criticidade ou situações de plantão/emergência.

Atividades Fundamentais do Interventor:

• Abertura, execução e encerramento de Ordens de Serviço (OS).

• Registro rigoroso do interventor e da intervenção no sistema.

• Solicitação de peças ao almoxarifado para uso emergencial.

• Análise técnica do motivo da falha para orientar operadores e evitar reincidências.


2.2. Manutenção Preventiva (Manutenção Planejada)

Aqui entramos no domínio do planejamento. O foco é cumprir padrões técnicos para garantir uma disponibilidade acima de 90%, mantendo o MTBF (Tempo Médio Entre Falhas) elevado. Paramos a máquina de forma programada para trocar peças antes que a quebra ocorra, baseando-nos em tempo ou ciclos de uso.


2.3. Manutenção Preditiva e Técnicas de Inspeção

O objetivo é monitorar o sintoma para atuar no momento exato — a "cirurgia" ocorre apenas quando necessária, mas com total controle.

• A Analogia da Lâmpada (Cenários 2 e 3): Em um centro cirúrgico, a severidade é altíssima. Não esperamos queimar; usamos redundância e monitoramento constante (Confiabilidade).

Já em um grande estabelecimento, realizamos estudos de ciclo de vida (LCC) para escolher o melhor fabricante e prever a troca em massa, otimizando o custo-benefício.

Para evitar a repetitividade, seguimos passos técnicos rigorosos:

1. Uso de Ishikawa e 5 Porquês para causa raiz.

2. Pareto e Histogramas para identificar falhas frequentes.

3. Lição de um Ponto (TPM): Ferramenta fundamental para estabelecer contramedidas e educar a equipe.

4. Matriz X: Realizamos uma análise profunda onde quebra, componente, causa e ação possuem acompanhamento contínuo.


2.4. TPM e Manutenção Autônoma

A Manutenção Produtiva Total (TPM) é o estado da arte da parceria entre Operação e Manutenção. Ela é sustentada por oito pilares:


1. Melhorias Específicas; 2. Manutenção Autônoma; 3. Manutenção Planejada; 4. Educação e Treinamento; 5. Manutenção da Qualidade; 6. Controle Inicial; 7. TPM Administrativo; 8. SHE (Segurança, Higiene e Meio Ambiente).

Nesta cultura, dividimos as responsabilidades:

• Operadores: Garantem as "condições de base" (limpeza, lubrificação, inspeção visual e reapertos).

• Mantenedores: Focam em tarefas de alta complexidade técnica.

• Engenheiros: Atuam em projetos para "zero manutenção" e melhoria da manutenibilidade.

--------------------------------------------------------------------------------

3. Matriz de Decisão: Custos, Criticidade e Severidade

Política

Eixo de Custo

Disponibilidade

Onde Aplicar

Corretiva

Baixo Planejado / Alto Emergencial

Baixa/Inconstante

Baixa Criticidade

Preventiva

Médio (Peças e paradas programadas)

Alta (> 90%)

Média/Alta Criticidade

Preditiva

Alto (Investimento em Inspeção)

Altíssima

Alta/Severidade Crítica

TPM

Investimento em Capacitação

Foco em "Zero Quebra"

Cultura Organizacional

Riscos da Falha (Critérios de Severidade): Ao definir sua estratégia, considere que uma falha pode comprometer o investimento de capital (reparos caros), afetar a comunidade (falta de proteção/custos sociais), causar perda de controle direcional (manobra), gerar explosão/fogo, provocar vazamentos ambientais ou paralisar as operações (perda de eficiência).


4. Conclusão da Parte I: O Equilíbrio da Gestão

A boa gestão nasce da integração dessas políticas para reduzir o imobilizado. Um ponto crucial que sempre destaco: busquem materiais e sobressalentes em consignação. Isso reduz o capital travado em estoque e transfere o peso financeiro para parcerias estratégicas com fornecedores, garantindo que o giro do estoque seja superior a uma vez por ano.



5. Mergulhando na Série ISO 55000: O Padrão Ouro


5.1. ISO 55000, 55001 e 55002: Quem é Quem?


• ISO 55000: Termos e princípios. É o "dicionário" e a filosofia.

• ISO 55001: Os requisitos. É o que a empresa deve fazer para ser certificada.

• ISO 55002: As diretrizes. É o manual de "como" aplicar os requisitos da 55001.


5.2. Elementos Centrais: Do Inventário aos Novos Projetos


A norma exige um inventário hierárquico (não se gere o que não se conhece). Além disso, o Engenheiro de Produção deve garantir a Participação da Manutenção em Novos Projetos. A manutenibilidade deve nascer na planta, respeitando as NRs (como NR-10, 12 e 13), garantindo que facilities e utilities operem com segurança e acesso fácil para reparos.


5.3. Manutenção Classe Mundial


Para atingir este patamar, as empresas buscam:

• Equipes Enxutas e Polivalentes: Profissionais com formação variada (Senai, Técnica e Superior) e domínio tecnológico.

• Integração Total: Cultura aberta onde operação e manutenção resolvem problemas crônicos juntas.

• Kaizen: Melhoria contínua baseada em indicadores e benchmarks.

--------------------------------------------------------------------------------

6. Considerações Finais: O Futuro do Gestor de Ativos


O caminho para a excelência exige profissionais multidisciplinares. A equipe de manutenção moderna conta com especialistas em mecânica, elétrica, eletrônica, automação e, claro, engenheiros de produção focados em gestão.

A complexidade das plantas atuais não permite amadorismo. É necessário dominar técnicas como o FMEA (Análise do Modo e Efeito da Falha) e a filosofia da Manutenção Enxuta (Lean Maintenance).

Comentários


bottom of page